O disco enquanto acesso: Pós-escassez, curadorias artificiais e o futuro da escuta

Post-Scarcity, Artificial Curation and the Future of Listening

Autores

  • Rômulo Moraes UFRJ

Palavras-chave:

capitalismo cognitivo, algoritmos musicais, escuta digital, spotify

Resumo

O presente trabalho visa analisar as condições de escuta musical a partir da emergência do capitalismo cognitivo ou de plataformas. Apresentamos o mercado fonográfico como um experimento de vanguarda no que diz respeito à comoditização do incorpóreo, à disputa pela desterritorialização dos commons e ao uso indiscriminado de algoritmos de mapeamento das subjetividades e previsão de escolhas e gostos. Nesse contexto, os discos musicais aparecem não mais enquanto objetos ou entes simples, mas enquanto portais de acesso a determinados repositórios codificados de arquivos, isto é, enquanto interfaces, e os artistas que pretendem manter sua autonomia precisam também se tornar mediadores do que criam. Tal perspectiva engendra novos paradigmas em relação a, entre outras questões, o papel das práticas curatoriais e a preservação da memória cultural.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Bauwens, Michel. 2005. “The Political Economy of Peer-Production”. Post-Autistic Economics Review, 37.

Benkler, Yonkai. 2006. Wealth of Networks. Londres: Yale University Press.

Borges, Jorge Luís. 2007. “A Biblioteca de Babel”. In: Ficções, São Paulo: Cia. das Letras.

Bunz, Mercedes. 2017. “Define: algorithm”. Disponível em: <https://mercedesbunz.net/2017/10/11/define-algorithm/>. Acesso em 04 jul. 2019.

Crary, Jonathan. 2016. 24/7: Capitalismo tardio e os fins do sono. São Paulo: Ubu.

Flusser, Vilém. 2017. Filosofia da caixa preta. São Paulo: É Realizações.

Groys, Boris. 2013. Art Power. Londres: MIT Press.

Guattari, Félix. 1994. “Da produção de subjetividade”. In: Parente, A. (Org.) Imagem-máquina. São Paulo: Editora 34.

Harvey, David. 2008. Condição pós-moderna. São Paulo: Edições Loyola.

Hennion, Antoine. 2001. “Music Lovers: Taste as Performance”. Theory, Culture and Society, vol. 18, n. 5, p. 1-22.

______. 2011. “Pragmática do gosto”. Revista de Ciências Sociais da PUC-Rio, n. 8, p. 253-277.

Huizinga, Johan. 2014. Homo ludens. São Paulo: Perspectiva.

Iazzetta, Fernando. 1997 "A Música, o Corpo e as Máquinas". Revista Opus IV (4), p. 27-44.

Krukowski, Damon. 2017a. “Surface Noise”. Paris Review. Disponível em: <https://www.theparisreview.org/blog/2017/04/21/surface-noise/>. Acesso em 03 jul. 2019.

__________. 2017b. “Power”. Ways of Hearing, n. 5. Disponível em: <https://www.radiotopia.fm/showcase/ways-of-hearing/>. Acesso em 03 jul. 2019.

__________. 2019. “History Disappeared When Myspace Lost 12 Years of Music, and It Will Happen Again”. Pitchfork. Disponível em: <https://bit.ly/2OiUPd6>. Acesso em 04 jul. 2019.

Lazzarato, Maurizio. 2006. As revoluções do capitalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

Malinowski, Bronislaw. 2018. Argonautas do Pacífico Ocidental. São Paulo: Ubu.

Mauss, Marcel. 2017. Sociologia e antropologia. São Paulo: Ubu.

Moulier-Boutang, Yann. 2001. “Riqueza, propriedade, liberdade e renda no capitalismo cognitivo”. Lugar Comum, n. 13-14, p. 25-43.

Negri, Antonio. 1994. “Infinitude da comunicação / Finitude do desejo”. In: Parente, A. (Org.) Imagem-máquina. São Paulo: Editora 34.

Negri, Antonio.; Hardt, Michael. 2009. Commonwealth. Madrid: Akal.

Obici, Giuliano. 2006. Condição da escuta. Rio de Janeiro: 7 Letras.

Pasquinelli, Matteo. 2010. “Um diagrama do capitalismo cognitivo e da exploração da inteligência social geral”. Uninomade. Disponível em: <http://uninomade.net/tenda/um-diagrama-do-capitalismo-cognitivo-e-da-exploracao-da-inteligencia-social-geral/>. Acesso em: 03 jul. 2019.

__________. 2019. “Three Thousand Years of Algorithmic Rituals: The Emergence of AI from the Computation of Space”. E-Flux. Disponível em: <https://www.e-flux.com/journal/101/273221/three-thousand-years-of-algorithmic-rituals-the-emergence-of-ai-from-the-computation-of-space/>. Acesso em: 03 jul. 2019.

Pepperell, Martyn. 2017. “How YouTube autoplay gave a lost Japanese classic new life”. Dazed. Disponível em: <https://bit.ly/30fgRm1>. Acesso em: 3 jul. 2019.

Rullani, Enzo. 200. “El capitalismo cognitivo: du déjà vu?”. Disponível em: <http://www.multitudes.net/El-capitalismo-cognitivo-du-deja/>. Acesso em: 03 jul. 2019.

Ruskin, John. 2004. Economia política da arte. Rio de Janeiro: Record.

Sahlins, Marshall. 2017. Stone Age Economics. Londres: Routledge.

Stengers, Isabelle. 2016. “The Care of the Possible”. Cultural Politics, 12, p. 339-354.

Wark, McKenzie. 2004. A Hacker Manifesto. Cambridge: Harvard University Press.

Publicado

2021-05-27

Como Citar

Moraes, R. (2021). O disco enquanto acesso: Pós-escassez, curadorias artificiais e o futuro da escuta: Post-Scarcity, Artificial Curation and the Future of Listening. MusiMid: Revista Brasileira De Estudos Em Música E Mídia, 2(1), 61-76. Recuperado de http://www.musimid.mus.br/revistamusimid/index.php/musimid/article/view/91

Edição

Seção

Artigos